Adriana Calcanhotto
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Álbuns

# 11 faixas

  1. 01. Também Capaz
  2. 02. Se For Pra Ser Agora
  3. 03. Você Não Vai Me Achar
  4. 04. Na Minha Carne Viva
  5. 05. Por Ti, Por Mim, Por Nós
  6. 06. As Bancas De Jornais
  7. 07. Contemplando A Folia
  8. 08. Sorriso Livro
  9. 09. Não Me Dão
  10. 10. Agora Juntos
  11. 11. Não Me Deu

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CALOR. Tudo lateja. Que chama é essa que singulariza e dá propulsão à CANTADA de Adriana Calcanhotto? Quem sabe? Talvez a vontade e a capacidade de manter aceso o veio experimental não nas bordas alternativas, mas, precisamente, no mainstream da música pop comercial. E ela o faz pelos caminhos menos óbvios: pela diminuição proposital dos acordes em proveito de um cancioneiro minimalista lúdico e pela promessa de felicidade – pela CANTADA – com a qual conseguiu seduzir para o seu projeto os músicos-autores que a ajudam a realizá-lo.

Ela nos confessou que os escolheu por não serem músicos-funcionários, mas criadores que, orientados pela lei do desejo, conseguem penetrar em territórios ainda não inteiramente mapeados. Outsiders, encontram-se fora da indústria, o que lhes permite ser mais surpreendentes e engraçados. "É a galera com que mais me identifico". Moreno + 2, Los Hermanos, Bossacucanova fazem um uso desassombrado e descompromissado da tecnologia de ponta: cibernética, sim, porém a serviço do balanço, sem fetiches nem macaqueamentos de estereótipos importados. Um tempero para a NOITE é acrescentado por Daniel Jobim quando desliza pelas superfícies das canções.

O atraente diferencial de Adriana Calcanhotto é essa arte combinatória e ousada de incorporar no trabalho dissonâncias culturais de tal modo que, longe de tentar harmonizá-las, enfatiza seus choques, suas fendas e suas brechas, como se fosse um DJ, a arranhar e samplear sonoridades reconhecíveis da música comercial e erudita, da poesia canônica e de clichês liricistas entremeados de sugestões de frases musicais cantaroladas. Não por acaso SE TUDO PODE ACONTECER se dá como um hino à fecundidade do acaso. É desse modo que brota o seu acre-doce estilo novo de sedução. Trata-se de uma recusa à fusion convencional, a palatáveis colchas de retalhos e à empolada polenta caipiro-cosmolita. Vamos comer Madonna? O convite para comer o boogie-woogie da Madonna (MUSIC/IMPRESSIVE INSTANT) resulta no bomb-shell que é a Madonna adrianizada.

Eis aqui um PROGRAMA deliberadamente enviesado, incorporando claros-escuros, arranjos impuros, explorações ready-mades, quase-tecnos, músicas para pistas de danças, instantes marcantes, momentos decisivos, in-seguranças máximas e perícia na manipulação das identidades oscilantes entre SOU SEU e SOU SUA. Calcanhotto transita entre o público e as nuances da INTIMIDADE. A leitura em diagonal das páginas amarelas do JORNAL DE SERVIÇO de Carlos Drummond de Andrade é um ponto alto dessa celebração. Assim se lançam PELOS ARES canções que fazem despertar os homens (e as mulheres) e adormecer as crianças (NINAR).

Orgulhamos-nos de fazer parte dessa galera. Como poderiam poetas chapa-quente deixar de cair na CANTADA de Adriana Calcanhotto?

Fonte: AdrianaCalcanhotto.com


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