A polícia da Coreia do Sul solicitou nesta terça-feira (21) um mandado de prisão contra Bang Si-hyuk, presidente e fundador da HYBE, a gigante do K-pop responsável pelo grupo BTS.
(Foto: Big Hit Entertainment)

A solicitação foi encaminhada ao Ministério Público do Distrito Sul de Seul e está relacionada a suspeitas de negociação fraudulenta de ações antes da abertura de capital (IPO) da empresa.

Segundo a Agência Metropolitana de Polícia de Seul, Bang Si-hyuk teria enganado investidores em 2019, induzindo-os a vender suas ações na HYBE a um fundo de capital privado ligado a seus associados — antes mesmo da empresa entrar na bolsa de valores.

Com isso, ele teria embolsado lucros ilegais estimados em cerca de 200 bilhões de wons (aproximadamente US$ 136 milhões).

O caso se enquadra na Lei do Mercado de Capitais sul-coreana, que prevê pena de prisão perpétua ou mínima de cinco anos para quem obtenha lucros superiores a 5 bilhões de wons por meio de declarações falsas sobre produtos de investimento financeiro.

A polícia recebeu a denúncia no final de 2024 e, no ano seguinte, realizou buscas tanto na Bolsa de Valores da Coreia quanto na sede da HYBE.

Em agosto de 2025, Bang Si-hyuk já havia sido proibido de deixar o país, o que limitou significativamente suas atividades. Em um desdobramento inusitado, a Embaixada dos Estados Unidos em Seul chegou a enviar uma carta à polícia pedindo permissão para que ele viajasse aos EUA e participasse da turnê mundial do BTS.

Em nota divulgada após o anúncio, o empresário afirmou que a solicitação do mandado é "lamentável", ressaltando que sempre cooperou com as investigações. "Continuarei me explicando da melhor forma possível, participando fielmente dos procedimentos legais", disse ele por meio de seu advogado.

A defesa de Bang Si-hyuk nega as acusações, afirmando que o IPO da HYBE foi conduzido em conformidade com as leis e regulamentações vigentes.

A corte ainda precisa aprovar o mandado antes que Bang Si-hyuk possa ser detido — o suspeito tem direito a uma audiência em até três dias após a solicitação.

O caso representa mais um capítulo turbulento para a HYBE, que nos últimos anos acumulou controvérsias internas, ao mesmo tempo em que seus artistas mais famosos, o BTS, voltaram aos holofotes com uma aguardada turnê mundial.