Gusttavo Lima se pronunciou após ser chamado de "ladrão" pelo prefeito de Surubim, em Pernambuco, Cleber Chaparral (União-PE). O cantor classificou as declarações como "pesadas" e "injustas", afirmou que o valor do show cancelado já foi devolvido à prefeitura e ainda acusou a cidade de reter sua banda e equipe.

A situação é desdobramento direto da confusão que começou com o cancelamento da apresentação por intoxicação alimentar, quando o gestor municipal partiu para a ofensa pública.

Em entrevista ao Metrópoles, o sertanejo foi enfático sobre a devolução e a denúncia de retenção. "O cachê já foi devolvido. Ainda fizeram cárcere privado com a nossa banda e equipe. Estão saindo de lá agora. Isso é crime."

O show estava previsto para o sábado (27/6), mas foi cancelado depois que o artista sofreu uma intoxicação alimentar. Segundo ele, os sintomas surgiram dias antes, em meio à maratona do São João. Mesmo passando mal, o cantor ainda subiu ao palco na sexta-feira (26/6), em Maracanaú (CE).

"Nunca cancelei um show na minha vida por motivo assim. Foram 10 shows seguidos, apresentações de duas horas, só eu no palco. Da quarta para quinta-feira comecei a passar mal. Quando cheguei a Fortaleza já estava cansado, com os olhos marejados e sem apetite. Acho que foi uma virose."

O artista afirmou que a decisão de não se apresentar foi tomada de forma responsável e disse que jamais deixaria de cumprir um compromisso sem motivo sério. "Independentemente do valor do contrato ou do dinheiro, doença tem que ser tratada com responsabilidade acima de tudo. Chamar alguém de ladrão por adoecer é pesado, é injusto. Ninguém escolhe ficar doente."

Gusttavo também criticou a cobrança de que cantores se apresentem mesmo debilitados e relembrou um episódio grave de saúde no passado. "Jamais cancelaria um show se pudesse evitar. A gente não tem bola de cristal. Um grande erro é achar que artista é máquina. A gente é ser humano da mesma forma."

"Em 2019, cantei com um cateter em cada braço, tomando doses de adrenalina. Tinha 45 mil pessoas esperando. Custei a sair do palco e fiquei uma semana internado com salmonella."

O sertanejo afirmou ainda que pretende tomar medidas contra o prefeito, alegando que as falas ignoram sua trajetória e suas ações sociais. "As palavras ferem, destroem reputações. Todo mundo conhece o meu compromisso. Eu acho que já fiz mais pelo povo do que esse prefeito. Meus dois cachês de Barretos vão para o Hospital do Câncer. A gente faz um trabalho muito sério para alguém te ferir desse jeito. Está faltando empatia."

O cantor também comentou as ofensas feitas pela cantora Rafa Alyce BB, que o xingou ao subir ao palco após o cancelamento. Emocionado, ele pediu respeito à sua família. "Eu sou um cara público, mas a minha mãe tem que ser respeitada. Ela precisa lembrar que também é uma mulher e tem uma mãe."

O artista relembrou um momento recente em que se emocionou ao falar da mãe, falecida em 2015, aos 73 anos. "Escutar isso depois de um momento tão sensível é muito chato. Eu até me emociono."

O Metrópoles procurou o prefeito Cleber Chaparral para comentar a devolução do cachê e a acusação de retenção da equipe, mas não obteve resposta até a publicação.