A cantora Ana Castela virou assunto nas redes sociais e na crítica musical depois de lançar "Não é Pressa é Pressão", faixa gravada ao lado de Rincon Sapiência e DJ Boss que reaproveita um dos hinos mais reconhecíveis do funk e do rap carioca.

A música já figura no Top 15 do Spotify Brasil neste mês de agosto. Ela toma emprestados o refrão e a estrutura melódica de "Rap da Felicidade", mas substitui o discurso sobre paz e resistência na periferia por referências ligadas ao universo sertanejo, como carros, festas e bebida.



Lançado em meados dos anos 1990 por Cidinho & Doca, o clássico original entrou para a história ao transformar a denúncia da violência e a busca por dignidade na favela em refrão popular. O verso "eu só quero é ser feliz" tornou-se símbolo dessa mensagem.



Dividiu a web

Enquanto existem fãs que aprovaram a novidade, também há quem desaprovou a faixa lançada por Ana.

A crítica não gira em torno do direito de adaptação, já que os compositores da obra original constam nos registros oficiais da nova faixa. O ponto levantado é a decisão de usar a carga afetiva de um marco construído sobre desigualdade e sobrevivência como trilha de consumo e ostentação.

"Não suporto esses "artistas" do agro, bando de sanguessugas que só usam o funk pra encher os bolsos e na primeira oportunidade que tiverem p ferrar com a cultura vão fazer isso sem pensar duas vezes", escreveu um usuário no X.

"O povo aqui só ouve chorume, ainda tiveram a falta de vergonha na cara de estraga o Rap da Felicidade", detonou uma ouvinte no Youtube, nos comentários do vídeo.

"Absurdo uma música tão linda, realista e crua como o "Rap da Felicidade", ser sampleado pra isso. Uma música tão bonita sobre dignidade e orgulho, virar sobre dodge ram e embriaguez? O sertanejo já foi melhor. Faz tempo que o rico pega o que é do pobre e transforma pra ele", revoltou-se outra fã no YouTube.

Até entre os seguidores do próprio sertanejo, houve quem criticasse.

"É oficial, o sertanejo acabou!", postou um fã de Ana.

"Foda que o sertanejo era muito bom mas agora tudo virou esses remixes, não consigo ouvir 3 segundos dessas músicas", criticou outra fã no X.

Para outras pessoas que repercutiram o caso, a citação garante reconhecimento imediato à nova produção, mas o esvaziamento do contexto social desmonta justamente a mensagem que consagrou o hino carioca.

A cantora, que esteve no centro do noticiário nos últimos dias, ainda não se pronunciou sobre as críticas.