O jazz perdeu uma de suas vozes mais inconfundíveis. Cassandra Wilson , cantora americana marcada por um timbre grave e envolvente, morreu aos 70 anos. Reconhecida por transitar entre o jazz, o blues e o folk, ela deixa uma obra que redefiniu o que uma intérprete do gênero poderia fazer.
(Foto: Anthony Barboza/Getty Images)

A morte, ocorrida na última terça-feira (1), foi anunciada pelo empresário da artista, Robert Torre, à rádio WBGO, de Nova Jersey. Segundo ele, Wilson "faleceu em paz em casa, cercada por familiares, amigos próximos e seu empresário". A causa não foi divulgada até o momento.

O legista Jeramiah Howard, do condado de Hinds, no Mississippi, confirmou o óbito. Nascida em Jackson, na mesma região, Wilson construiu uma carreira avessa a rótulos, reinterpretando canções de outros artistas com uma liberdade que virou sua assinatura.

Uma intérprete sem fronteiras

Um dos exemplos mais celebrados dessa ousadia é a versão que ela criou para "Harvest Moon", releitura em clima intimista de um clássico de Neil Young.



A cantora também mergulhou no blues do sul dos Estados Unidos, como na sua leitura de "Come On In My Kitchen", tema associado ao lendário Robert Johnson.



Do rock ao pop, nada ficava fora de alcance. Em "Love Is Blindness", ela transformou uma faixa do U2 numa balada densa e melancólica.



Duas décadas de Grammy

Ao longo da trajetória, Wilson conquistou dois prêmios Grammy e dividiu trabalhos com nomes como The Roots e Angelique Kidjo. Discos como "Blue Light 'Til Dawn" e "New Moon Daughter" a consolidaram como uma das artistas mais influentes do jazz das últimas décadas, dona de uma voz que soube atravessar gêneros sem jamais perder identidade.