Há rivalidades no hip hop que o tempo não apaga e a que opõe 50 Cent e Diddy acaba de ganhar um capítulo digno de roteiro. De acordo com uma apuração da NBC News, o produtor teria assistido, atrás das grades, ao documentário sobre a própria queda, assinado justamente pelo desafeto de longa data.

A reportagem norte-americana, divulgada na última semana, descreve a rotina de Sean Combs (nome verdadeiro de Diddy) no presídio federal de Fort Dix, em Nova Jersey, onde cumpre pena desde outubro de 2025. Com base em relatos de quatro ex-colegas de unidade, o texto retrata um detento que paga por massagens, recorre a outros presos para cozinhar e limpar e teria acesso a bebidas de luxo introduzidas de forma ilegal no local.

Entre os detalhes, um chamou atenção: Combs teria conseguido um tablet desbloqueado por fora das regras e o usado para entrar no Instagram e ver filmes e documentários. Em meio às opções, acabou caindo em "Sean Combs: O Acerto de Contas", a série que a Netflix lançou em 2025 com produção de 50 Cent.

Ao saber do episódio, o rapper não perdeu a deixa. Numa publicação nas redes, escreveu: "Hahahahaha, confiram meu documentário vencedor do Emmy, 'Sean Combs: O Acerto de Contas', disponível na Netflix, chegando a uma prisão perto de você". No mesmo post, aproveitou o embalo para divulgar um novo projeto, uma parceria com o game Street Fighter.

Dirigida por Alexandria Stapleton, a produção tem quatro episódios e percorre a trajetória de Combs, da fundação da Bad Boy Entertainment até a condenação, reunindo relatos de ex-funcionários, parceiros e nomes que passaram pelo selo. Antes da estreia, marcada para dezembro de 2025, a defesa do empresário tentou barrar a exibição com uma notificação extrajudicial, sob o argumento de que parte do material teria sido obtida de forma irregular. A Netflix rebateu, afirmou ter comprado as imagens dentro da lei e disse ter dado a Combs espaço para se pronunciar — chance que ele recusou, classificando o projeto como uma "peça de ataque vergonhosa".

As alfinetadas de Curtis Jackson, no entanto, são bem anteriores. Ao longo do julgamento, ele mirou o antigo rival repetidamente nas redes. Quando anunciou a série em entrevista ao programa Good Morning America, da ABC, admitiu ter escolhido a emissora de propósito — por ser um dos poucos canais disponíveis na TV dos presídios. "Pensei nisso — qual é o problema?", disparou. Depois veio o Emmy, troféu que rendeu ainda mais provocações.

Procurada, a assessoria de Combs minimizou a repercussão e disse que a imprensa estaria transformando uma vida comum na prisão em manchete. A previsão de soltura é fevereiro de 2028, mas a defesa segue recorrendo da sentença.

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